quarta-feira, 26 de setembro de 2012

INTOCÁVEIS (Intouchables, França, 2011)


Filme visto por mais de 30 milhões de pessoas e o mais visto pelos franceses até hoje. Inspirado no livro O segundo suspiro, de Philippe Pozzo di Borgo, ex-executivo que ficou tetraplégico após um acidente de parapente. Conta a história do milionário contratando seu cuidador,  que é o oposto dele. Talvez ele enxergue uma completude ali, porque as diferenças são extremas entre o empregado Driss (Omar Sy) que é simples, argelino, ex-detento, sem dinheiro, sem instrução e com um sorriso de criança que conquista na primeira cena. Já Philippe (François Cluzet), é milionário, culto, vive rodeado de arte e cultura. O primeiro dança  soul, tem um corpo forte, é jovem, enquanto o outro move apenas a cabeça. O roteirista permeia drama e comédia, emocionando o público. Na verdade o que vi posso resumir com a famosa frase que os franceses tanto gostam, vive la difference. Ao longo do filme se percebe o nascimento de uma amizade inesperada, apesar de todos os contrastes. Uma história de amor e confiança apresentada por atores espetaculares. Ah, e tem Nina Simone cantando feeling good numa das cenas. Lindo demais!
Elenco:
François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleurot, Clotilde Mollet, Alba Gaïa Kraghede Bellugi, Cyril Mendy, Christian Ameri, Grégoire Oestermann, Joséphine de Meaux
Direção
Olivier Nakache, Eric Toledano
Premios:
Indicado a 8 Cesar, Omar Cy venceu na categoria melhor ator 
O filme vai concorrer ao Oscar 2013 na categoria melhor filme estrangeiro.
Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=kR3ZQi6rCiY


Phillipe e Driss










domingo, 21 de agosto de 2011

BIUTIFUL (2010)

Filme dirigido por Alejandro Gonzalez Iñarritu (que também dirigiu Babel, 21 Gramas e Amores Brutos), mostra o submundo de Barcelona e nele, a rotina de Uxbal (Javier Bardem), vivendo com pouco dinheiro, separado da mulher que tem transtorno de personalidade, criando os dois filhos pequenos e fazendo negociações ilegais, como tráfico de mão de obra (chineses e africanos). Ele, ainda possui o dom de falar com os mortos e, devido a sua situação, acaba cobrando, pelo que deveria fazer gratuitamente. A única suavidade na vida de Uxbal é o carinho das suas crianças. Uxbal se sente cumprindo seu destino e o compara com uma tempestade de areia que não para de mudar de direção. Quando se descobre doente, Uxbal começa a refletir sobre a vida. O filme fala de necessidade, destino, consciência, perda, reencontro e dor, muita dor. A atuação de Javier Bardem está impecável e foi indicado ao Oscar de melhor ator.
Drama, 147 minutos de duração
Premiação:
Melhor ator (Javier Bardem) no Festival de Cannes, 2010
Trailer:

terça-feira, 16 de agosto de 2011

LIXO EXTRAORDINÁRIO (Waste Land, 2010)

Documentário realizado ao longo de 2 anos, produzido pelos diretores João Ja

rdim, Karen Harley e Lucy Walker.

O que me impressionou neste foi a sensibilidade e sutileza do artista plástico Vik Muniz junto aos catadores de material reciclável no maior aterro sanitário do mundo, o Jardim Gramacho que fica num bairro da periferia de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Vik faz um trabalho em equipe e, a princípio, os catadores não tinham a menor ideia do que um artista plástico e fotógrafo iria fazer naquele lugar. Vik Muniz se relaciona com simplicidade e profissionalismo com os catadores, porque fica nítido o respeito a eles, que vivem num universo tão diferente do dele, que nasceu pobre mas que mora no exterior onde tem seu trabalho muito apreciado. E, dentro daquele emaranhado de lixo, gente, urubus, a equipe vai revelando a beleza do ser humano. Entre os catadores está o Tião, que posou para a foto que foi leiloada em Londres, inspirada na tela de Jaques-Louis David "O Assassinato de Marat". Tião é um negro jovem e muito inteligente que criou uma associação para os catadores, e conta no documentário que teve a sorte de ter sido alfabetizado ainda criança e que se apaixonou pela leitura quando encontrou um livro chamado O Príncipe, de Machiavel e revela que gosta muito de Nietzsche também. As pessoas retratadas por Vik Muniz são belíssimas (mulheres, idosos, crianças, uma cozinheira, o zumbi). O trabalho de Vik é impressionante, porque ele tira beleza daqueles rostos sofridos e de materiais descartados. E mais, ele deixa bem claro que o trabalho é da equipe toda, inclusive dos catadores que ficam no seu estúdio montando as imagens e que o dinheiro das fotografias será revertido em favor dos catadores, que vão pela primeira vez a um museu, à exposição de suas fotos. Vik Muniz é um alquimista.

Lixo Extraordinário foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2011 e ganhou vários prêmios em Festivais internacionais.
Gênero: Documentário
Duração: 90 minutos.
trailer:




terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A COR DO PARAÍSO (Rang-e khoda, Irã, 1999)

Filme iraniano de Majid Majidi, o mesmo diretor de "Filhos do Paraíso", lembrando que o cinema iraniano costuma abordar o universo infantil. Traz a história de Mohamad, um menino cego que estuda em Teerã e vai passar as férias na fazenda onde vive sua família. O menino busca o sentido da vida nos sons da natureza e na sensibilidade do toque, tentando compreender sua própria existência e a vontade divina que rege todas as coisas. A fotografia é belíssima (os campos de flores, de trigo, o colorido das roupas das crianças, a beleza natural dos personagens). O simples contrasta com a complexidade emocional das relações humanas. O filme é repleto de metáforas (muitas cenas de mãos) e foi gravado em regiões rurais do Irã (para minha surpresa, com muito verde). Nas últimas cenas o diretor capta o olhar do pai de Mohamad e mostra o quanto é vulnerável o ser humano. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, premiado no Festival de Toronto. Lindíssimo!
Ficha técnica:
Diretor/Roteirista: Majid Majidi
Elenco: Mohsen Ramezani, Hossein Mahjoob, Salime Feizi, Elham Sharifi, Farahnaz Safari.
Fotografia: Mohamad Davudi
Trilha Sonora: Keivan Jahanshahi
Trailer:

terça-feira, 7 de setembro de 2010

NOSSO LAR (2010)

Acabei de chegar do cinema. Me emocionei com o filme, então, estou aqui para escrever sobre ele. (Me lembrou Amor Além da Vida e Ghost). Muitos viram o trailer, outros sabem a história, mas para quem não sabe, o filme baseia-se num livro psicografado por Chico Xavier em 1943, ditado pelo espírito de André Luiz. Traz a história do médico André Luiz, quando chega ao mundo espiritual, depois de uma morte precoce deixando esposa e três filhos pequenos. Durante um período, ele não tem consciência de que desencarnou e depois de passar por uma fase de sofrimento, dúvidas e desequilíbrio, é socorrido na Colônia Espiritual Nosso Lar, onde vai receber os cuidados de Lísias e aos poucos, vai compreendendo a vida após a vida, conversando com Emmanuel e com vários espíritos superiores que tomam conta do lugar. Gostei da fotografia, dos pequenos detalhes de flores, lagos, luzes e da música instrumental no piano (Moonlight Sonata, de Beethoven) e também dos violinos. Os prédios lembram as obras de Niemeyer e dá a impressão de filme futurista (o que pra mim faz todo sentido, já que acredito que no futuro, depois da morte, é o que há, para quem merecer). O filme faz refletir sobre a razão da existência, já que somos seres eternos e em evolução e também nos faz pensar sobre nossos sentimentos e o quanto as sensações negativas nos adoecem. A título de curiosidade, existe a sequência da história no livro Os Mensageiros também do Chico Xavier (André Luiz conta sua evolução em 16 obras). Gostei muito.
"A vida não cessa e a morte é um jogo escuro de ilusões
Fechar os olhos do corpo não decide os nossos destinos
É preciso navegar no próprio drama ou na própria comédia
Uma existência é um ato
Um corpo, uma veste
Um século, um dia...
E a morte, a morte é o sopro renovador...
Mas não vou sofrer com a idéia da eternidade
Há sempre tempo de recomeçar"
(Texto de Nosso Lar)
Elenco: Renato Prieto (André Luiz), Fernando Alves Pinto (Lísias), Othon Bastos (Anacleto), Paulo Goulart (Genésio), Werner Schünemann (Emmanuel), Lu Grimaldi, Chica Xavier,entre outros

domingo, 29 de agosto de 2010

A ULTIMA MUSICA (The last song, 2010)


Se você já viu O Diário de Uma Paixão, Um Amor Para Recordar, Noites de Tormenta e Uma Carta de Amor, também vai gostar de A Última Musica, porque todos são filmes adaptados de livros de Nicholas Sparks, (que também escreveu o roteiro deste filme). A história se passa numa pequena cidade no litoral dos EUA, quando Kim (Kelly Preston), leva seus dois filhos de Nova York para passar as férias de verão com o pai, que se mudou após o divórcio. Ronnie (Miley Cyrus) é uma é uma musicista talentosa, inteligente, sensível, porém agressiva, e seu irmão Jonah (Bobby Coleman), uma criança que ilumina a história (a atuação do menino é irretocável me tirou lágrimas mais de uma vez durante a sessão). Steve é um pai paciente, que está muito feliz com a chegada dos filhos (Greg Kinnear, que foi coadjuvante de Jack Nicholson em Melhor Impossível, lembram?). Durante o filme, Ronnie se apaixona, briga, bate portas, mas vai amadurecendo em razão dos acontecimentos. O lugar é bonito e a trilha sonora é boa. Claro que os recursos hollywoodianos estão muito presentes, mas é uma boa história. O filme passeia entre o romance e o drama, tudo bem costurado com o amor à música. Vi um pouquinho dos meus filhos na história, talvez tenha sido a razão de eu ter me emocionado. Gostei!
Elenco:
Miley Cyrus (Ronnie Miller), Greg Kinnear (Steve Miller), Bobby Coleman (Jonah Miller), Liam Hemsworth (Will Blakelee), Kelly Preston (Kim).
Trailer: